Hoje, 17 de dezembro, é o Dia no Pampa. Mas fica difícil comemorar. Saiba os motivos.
O Pampa, que no Brasil está localizado exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, é um dos ecossistemas mais ricos e singulares do país. Com campos nativos que abrigam alta biodiversidade e prestam serviços ambientais essenciais, o Pampa também ocupa um lugar central no debate sobre conservação: ele é hoje o bioma brasileiro menos protegido por Unidades de Conservação (UCs).

Estação Ecológica do Taim
Proteção insuficiente e vulnerabilidade
Atualmente, apenas 3,14% do Pampa está protegido por Unidades de Conservação, o que equivale a 33 UCs, somando cerca de 569.650 hectares. Desse total, apenas 18 unidades são de Proteção Integral, abrangendo 122.275 hectares. Um dado ainda mais alarmante: nenhuma dessas áreas é Parque Nacional.
Esse nível de proteção está muito abaixo das metas internacionais de conservação, que preveem a proteção de ao menos 30% dos biomas terrestres até 2030. A baixa representatividade do Pampa no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) o torna extremamente vulnerável.
Pressões sobre o bioma
A conversão de campos nativos para agricultura, silvicultura e pastagens intensivas avança de forma constante no Pampa. A falta de fiscalização e de áreas legalmente protegidas agrava esse cenário, levando especialistas a alertarem que o bioma está agonizando e pode desaparecer se medidas efetivas não forem adotadas.
Esse processo já foi observado em outros biomas brasileiros, onde a ausência de proteção territorial adequada resultou em perdas irreversíveis de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos, tema recorrente no monitoramento realizado pela Rede Pró‑UC em diferentes regiões do país.
Novas Unidades de Conservação em debate
Diante desse cenário, o governo federal estuda a criação de novas Unidades de Conservação no Pampa gaúcho, proposta que poderia ampliar a área protegida em aproximadamente 486 mil hectares. Mesmo com esse avanço, a cobertura total do bioma não ultrapassaria 5,5%, ainda muito distante do necessário para garantir conservação efetiva. Em 2024, o Seminário de criação de Unidades de Conservação, organizado pelo ICMBio, analisou 7 possíveis áreas no Pampa.
As propostas têm gerado debate e resistência, especialmente por pressões econômicas ligadas ao uso da terra, um impasse que reforça a importância de informação qualificada e participação social no processo de criação de UCs.
O papel da Rede Pró‑UC no Pampa
A Rede Pró‑UC monitora as Unidades de Conservação existentes no bioma Pampa, acompanhando sua implementação, gestão e os riscos que ameaçam sua integridade. Esse trabalho faz parte de uma atuação mais ampla da Rede em defesa das UCs em todos os biomas brasileiros.
Entre as ações da Rede Pró‑UC estão:
Monitoramento da situação das UCs e de propostas de redução ou fragilização;
Produção de análises e conteúdos públicos sobre conservação e políticas ambientais;
Atuação pela de novas Unidades de Conservação, especialmente em biomas pouco protegidos, como o Pampa.
Por que proteger o Pampa agora
Proteger o Pampa é preservar biodiversidade, garantir equilíbrio climático regional e respeitar modos de vida associados aos campos naturais. Sem a ampliação e o fortalecimento das Unidades de Conservação, o bioma segue sob risco real de degradação irreversível.
A experiência de outros biomas mostra que Unidades de Conservação bem implementadas são uma das ferramentas mais eficazes para conter a perda ambiental. No caso do Pampa, ampliar essa proteção deixou de ser uma opção — é uma urgência.