No dia 11 de maio, o setor ambientalista teve uma notícia nem um pouco agradável. Com a saída de Ricardo Soavinski da presidência do ICMBIO para assumir a presidência da Sanepar, o indicado para substituí-lo era um nome nada técnico: Moacir Bicalho, vice-presidente do PROS.

Com o temor de ver um órgão que, entre outras coisas, tem a função de gerenciar as Unidades de Conservação Federais ser usado como moeda de troca política, já que o PROS faz parte da base do governo do Presidente Michel Temer, um grupo de ambientalistas decidiu se opor à possível indicação e deixar claro ao Presidente e ao Ministério do Meio Ambiente que um nome técnico e de qualidade é essencial.

No final de semana a Rede Pró UC lançou uma convocatória de mobilização para todo o movimento ambiental por meio de whatsapp. Em seguida, redigimos uma carta compartilhada por diversos meios e que até o momento conta com 400 assinaturas de entidades, ambientalistas, cientistas e pesquisadores.

Ao mesmo tempo, servidores do ICMBio elaboraram uma carta expondo a apreensão do grupo com a possibilidade de ter na presidência uma pessoa que não tenha como principal interesse a conservação da natureza.

Felizmente, o movimento de resistência verde tomou proporções maiores do que o previsto, sendo pauta do programa Estúdio i, da GloboNews. No programa, o jornalista e ambientalista André Trigueiro expôs, com veemência, a articulação que estava sendo feita. A partir daí, então, o movimento tornou-se uma campanha: #NãoAoRetrocessoAmbiental. Além da hashtag, foram produzidos templates com frases que explicavam por que o ICMBio deveria ter um gestor que realmente entendesse do assunto.

No dia 16, um twitaço foi organizado, com participação de diversas instituições, jornalistas e membros da sociedade civil, todos interessados na conservação da natureza. O site especializado em meio ambiente O Eco publicou uma matéria sobre a mobilização dos servidores e do twitaço promovido pela Rede Pró UC.

Sabemos que o nome de Moacir Bicalho não consta mais como um dos elegíveis, mas até o momento não há um nome definido, mas a Rede Pró UC, junto com seus parceiros, continua lutando para que o próximo presidente do ICMBio seja uma pessoa com conhecimento de causa, interessada na conservação e não apenas um nome para agradar aliados políticos.

[ATUALIZAÇÃO 25/05/2018 – 18:40]

No dia 23, um novo nome apareceu como possível presidente do ICMBio: Cairo Tavares, Secretário Nacional de Formação Política do PROS, partido da base aliada do Presidente Michel Temer, e sem qualificação técnica ou conhecimento da área ambiental, consequentemente, incapaz de gerir órgão. No dia 24, Cairo esteve à tarde em reunião com a diretoria do ICMBio. Quando fomos informados, voltamos a pressionar o Governo para que este nome não fosse confirmado. À noite, Cairo convocou uma reunião com os servidores para anunciar que era o novo presidente do instituto. Os que participaram da reunião questionaram qual conhecimento ele tinha da área ambiental, e a resposta foi “o mesmo que qualquer cidadão”.

Dia 25 de manhã, servidores de sete Parques Nacionais paralisaram as atividades por uma hora. O objetivo era chamar atenção para a campanha contra o nome de Cairo e para mostrar à população a importância do ICMBio para a proteção e preservação do meio ambiente. Os servidores distribuíram panfletos e orientaram os visitantes sobre o motivo da paralisão. Os parques participantes foram: Parque Nacional da Tijuca (mais visitado do país), Parque Nacional do Iguaçu (segundo mais visitado), Parque Nacional da Serra dos Órgãos (em Teresópolis, onde fica o Dedo de Deus), Parque Nacional de Brasília (novo mais visitado), Parque Nacional do Itatiaia (onde fica o Pico das Agulhas Negras), Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (ampliado em 2017) e o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (quinto mais visitado). Estes parques recebem 90% dos visitantes de todos os Parques Nacionais do Brasil.

Diversos veículos estão cobrindo a mobilização, como o Correio BrazilienseEstadão, O Globo, Folha de São Paulo, G1. Jornalistas respeitados, como Miriam Leitão e André Trigueiro também repercutiram sobre o assunto. O Ministério Público Federal também se manifestou e fez a recomendação do perfil ideal do próximo presidente do ICMBio.

Aguardamos novas informações e vamos compartilhar conforme aparecerem e forem confirmadas.

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