O Brasil, país com a maior biodiversidade do mundo, enfrenta um inimigo silencioso e devastador: as mudanças climáticas. Ondas de calor escaldantes, secas prolongadas e tempestades torrenciais transformaram o que antes eram eventos raros em uma rotina alarmante. Nos últimos 12 meses, o país passou por quase três meses de calor extremo, enquanto a falta de chuva se intensificou em 25% em diversas regiões. A consequência? Segurança hídrica em colapso, produção agrícola ameaçada e o fantasma de desastres ambientais e sociais pairando sobre nós.

Alagamento em Porto Alegre provocado por chuva recorde no Rio Grande do Sul em maio de 2024 – Reuters/Renan Mattos
Em meio a esse cenário, as Unidades de Conservação (UCs) emergem como nossa última linha de defesa. Elas absorvem e armazenam carbono em quantidades colossais. Só as UCs federais do Brasil abrigam o equivalente a 28 anos de emissões nacionais de dióxido de carbono. Elas regulam o ciclo da água, protegem nascentes e garantem a estabilidade climática. No entanto, a cobertura de UCs é insuficiente e desigual. Enquanto a Amazônia tem 28% de sua área protegida, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga e o Pampa têm menos de 10% de proteção, e o Pampa e o Pantanal não chegam a 5%.
A ciência é firme: sem a expansão e o fortalecimento urgente das UCs, o Brasil sucumbirá à crise climática. A Meta 30×30, um compromisso global para salvaguardar 30% dos ecossistemas até 2030, não é apenas uma meta ambiental, mas uma questão de sobrevivência. Precisamos agir agora! A cada dia que passa, o desmatamento avança, as UCs são sufocadas pela falta de investimento e projetos de lei perigosos ameaçam sua existência.

Desmatamento no Pará – Reuters
É hora de erguer a voz e exigir ação! Apoie políticas públicas que fortaleçam as UCs, combatam o desmatamento e a grilagem de terras, e conscientizem a sociedade sobre a importância vital dessas áreas. As UCs são mais do que meras áreas protegidas; são a nossa última esperança contra a catástrofe climática. Protegê-las é proteger a vida no planeta.
A Rede Pró-UC trabalha na linha de frente pela criação, fortalecimento e defesa das Unidades de Conservação pois entendemos que elas são o principal legado que podemos deixar para as próximas gerações.
A situação é crítica e exige medidas imediatas. O tempo urge, e a inércia nos levará a um ponto de não retorno. A ampliação das Unidades de Conservação não é apenas uma estratégia para mitigar as mudanças climáticas, mas também um investimento na nossa própria sobrevivência. Cada hectare protegido é um passo em direção a um futuro mais seguro e sustentável. É necessário agir com a urgência que o momento exige, antes que seja tarde demais.