A COP30 deixou claro: proteger o oceano é proteger o clima. E, agora, o Brasil precisa demonstrar que leva a sério os compromissos que assinou — começando pelo Albardão.
Durante a conferência, o país reafirmou que integrar o oceano às políticas climáticas, fortalecer a meta global 30×30 e ampliar programas de conservação marinha não são apenas intenções, mas caminhos obrigatórios para enfrentar a crise climática. Se o oceano entrou definitivamente na agenda, a criação de novas Unidades de Conservação passa a ser uma exigência, não uma escolha.

Leão marinho – Arquivo ICMBio
Hoje, o Brasil já protege 26% do seu território marinho, um avanço real. Mas o grande desafio está na costa, onde a pressão climática, econômica e humana é maior — e onde o país ainda protege muito pouco. Os aportes anunciados na COP para restaurar manguezais, monitorar a zona costeira e fortalecer UCs mostram que o mundo está disposto a apoiar essa expansão. Falta o governo transformar esse apoio em território protegido.
É nesse contexto que o Albardão se torna central. A região reúne tudo o que a COP30 destacou como prioritário: sistemas costeiros capazes de capturar carbono, dunas e banhados fundamentais para a saúde dos ecossistemas marinhos, restingas e lagoas que sustentam biodiversidade, além de corredores ecológicos essenciais para espécies ameaçadas e aves migratórias. Trata-se de um dos últimos trechos contínuos e preservados do litoral sul — exatamente o tipo de área que o Brasil se comprometeu a proteger perante a comunidade internacional.
Os acordos existem. Os recursos estão disponíveis. A ciência é unânime. O mundo está atento.
Criar as Unidades de Conservação do Albardão não é apenas coerente com o discurso do Brasil — é indispensável para cumprir seus compromissos climáticos.
Sem Albardão, não há compromisso climático completo.